Me divirto com o medo disfarçado de desapego. Com o cigarro afogado na lata de cerveja.
Me divirto com o gozo não gozado, com a risada engolida, com a mão não tocada, com o olhar distraído propositalmente.
Diversão é virar pro lado, fingir que não vi, correr pra ansiedade, calar o grito, anular.
Me divirto fingindo concordar, fingindo ouvir, sorrir para a ignorância. Quanta diversão colocar um porém na burrice.
Adoro não andar, não abandonar o insuportável, não, não e não.
Me divirto cortando minhas asas, dizendo sim para o não. Como é bom quando a correia arrebenta na vontade de desistência.
Me delicio com a preguiça do comum, com o clichê da entrega vazia, da satisfação surda, com a fome de segundo, com o nada.
Me divirto com a repetição de todo esse senso comum, em vestir a fantasia, em não ser.



Me divirto com a repetição de todo esse senso comum, em vestir a fantasia, em não ser.