“Nothing lasts”. Essa foi a mensagem principal que o filme O Incrível Caso de Benjamin Button deixa. Nada dura. Fiquei uma semana com isso na cabeça, matutando o quanto essas duas palavras dizem. E elas dizem muito quanto ao valor que damos a diferentes momentos da vida. No dia 27 de junho a minha tia-avó, conhecida nos recantos de Taquari como Tia Luíza, assim mesmo, com T maiúsculo tamanha a popularidade desta que se transformou na “tia” de muita gente, completou 80 anos. Uma vida marcada por lutas. Tia Luíza lutou pela vida do filho que adotou com todo amor. Lutou anos na justiça pela guarda do neto, maltratado pelo padrasto. Anos de sofrimento, de dor, mas que foram compensados pela conquista da guarda de Samuel, a quem criou com todo o carinho e dedicação.
Assim ficou conhecida Tia Luíza, pelo coração enorme, que sempre abraçou quem precisou de um “cantinho” momentâneo. Logo que chegou o convite para a festa de aniversário, pensei: que lindo! Uma grande festa em comemoração, organizada pelo filho, nora e netos. Uma festa com cerca de 100 convidados, talvez mais. No entanto, tinha decidido que não iria. Afinal, nunca fui muito fã daqueles grandes encontros, com membros da família, do interior do interior, que vi pouquíssimas vezes, ou que nunca vi, e que costumam olhar os “de fora” com ar curioso, não sei se de espanto ou de admiração. Mas, chegou o dia e pensei naquela frase do filme… Poxa, se nada dura mesmo, por que não aproveitar para fazer essa experiência? – Lá fui eu!
Uma festa recheada de surpresas para a aniversariante, com depoimentos e cânticos do grupo da igreja que freqüenta assiduamente. No início, fiquei apreensiva quanto aos cânticos, até um pouco incomodada, confesso. Mas, quando dei por conta da emoção da Tia Luíza me rendi. Um vídeo com fotos da juventude mostrou um cotidiano vivido na roça, com as duas irmãs e o irmão. Também, momentos de alegria com o marido falecido, com os netos… Um recupera dos 80 anos de vida repleto de significados. E, naquele instante, a Tia Luíza respeitosa, misteriosa, bastante séria e com um olhar de tristeza revelou uma pessoa que esbanjava alegria e sorrisos, que não perdia uma festa, que adorava ser fotografada. Olhando o vídeo, logo me veio a frase: “nothing lasts”. Nada dura, e por isso, por medo de ver o presente se esvaindo por entre as mãos, pele, corpo, alguns têm uma necessidade quase que desesperada de não deixar esses momentos de alegria serem esquecidos. Nos olhos de Tia Luíza, as fotos são quase que uma máquina do tempo, através da qual revive momentos especiais. Alegria medida em cada uma das muitas lágrimas que deixou escorrer pelo rosto.
Ao ver Tia Luíza, pensei: “será que eu vou chegar lá?”. Depois, pensei no medo que tenho, não da morte em si, mas de não ter a oportunidade de viver o suficiente para todas as tentativas que quero arriscar. No entanto, o que é que isso importa! A vida é cheia de mistérios, o negócio é viver agora, ser feliz agora, arriscar agora. Afinal, não sei se vou ter o amanhã, então, quero garantir o meu hoje. Sem dúvida, um presente.