Um dólar por dia. Este é o valor com o qual 19% da população mundial sobrevive. Isso significa que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, segundo relatório da Organização das Nações Unidas. Até 2007, 925 milhões de pessoas passavam fome. Principal causa: a alta do preço dos alimentos. Uma, das três crises citadas pelo secretário-geral da Onu, Ban Ki-moon. As outras duas seriam a crise do clima e a do desenvolvimento.
Quando se fala em miséria e fome, leia-se total falta de dignidade. É muito fácil se encher de indignação ao passar a pé, de carro ou de ônibus por barracos levantados com madeira podre. Caminhar na rua e virar a cara para quem dorme na rua, no chão, alimentando o corpo com drogas para conseguir levar mais um dia. Grande parte de nós prefere não olhar. Eu prefiro não olhar. Egoísmo, fraqueza, falta de ação? – Sim, mas este não é um problema que apenas Ongs, movimentos sociais ou seja lá que tipo de organização não-governamental possa resolver. Essa é uma realidade para a qual o poder público precisa voltar os olhos. Discursinho ultrapassado esse, não é? No entanto, uma verdade absoluta, coisa que todos sabem. Mas, se todos sabem, por que é que passam-se os anos, a realidade até ficando menos nebulosa, mas ainda mostrando pessoas em condições subumanas? No Brasil, tem gente que diz que a situação é fruto da corrupção desse país. Pode ser, mas se ao menos destinassem parte da roubalheira, do dinheiro das 50 e tantas secretarias que restaram no governo federal e que não servem pra nada, para investimentos em educação, em geração de emprego e, consequentemente, renda, o roubo descarado até passaria de uma forma menos escandaloza…
Um dado interessante do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, diz que a eliminação da Cofins, aquela cobrança do governo federal para o financiamento da seguridade social, faria com que 6,4 milhões de brasileiros saíssem da linha da pobreza. Explico. Segundo o Ipea, 32,5% dos brasileiros vivem com cerca de meio salário mínimo per capita, o que significa renda familiar de pouco mais de R$200,00. Com a eliminação da Cofins, os tributos indiretos, embutidos nos bens de consumo, como é o caso do ICMS, imposto sobre mercadorias e serviços, seriam transferidos para o imposto de renda. Ou seja, o preço do alimento, assim como o de todos os outros tipos de produtos, seria razoavelmente menor. O poder de compra de boa parte dos brasileiros se elevaria e, com isso, muitos ultrapassariam a condição de pobreza. Pretensão bonita, mas irrealizável em um país onde aumentam os impostos na mesma proporção em que diminui a qualidade do serviço público…
Uma, das oito metas da Onu até 2015 é a erradicação da pobreza… Alguém acredita nisso? - Eu não. Pessimismo? Alguns podem dizer – Não, realista! - Eu digo tanto faz. Alguém vê beleza nessa utopia? Os olhos desta criança me dizem que não…